Martin Curi
(Fernuniversität Hagen)
Situação Atual
A atual discussão no Brasil sobre a violência, que envolve torcedores de futebol, e sua possível solução explicita nossa impotência diante do fato e da urgência de medidas pertinentes a este assunto. Comentaristas da mídia brasileira sugerem ações rigorosas de repressão, como aumento no controle e punição dos envolvidos. No entanto, isso representa um só lado, um só olhar sobre a solução possível.
Como alternativa, temos as medidas preventivas aplicadas por assistentes sociais. São urgentes medidas de caráter (re)educativo, preventivo e corretivo (Murad 1996: 102). Hoje, aparece como única solução a exclusão das torcidas organizadas, sempre declaradas como as únicas culpadas pela violência , o que soa pouco eficiente porque essas pessoas problemáticas vão mostrar seu comportamento indesejável dentro e fora do estádio, seja no ambiente do futebol ou no ambiente social mais amplo.
Realmente eficazes seriam medidas que vão às raízes do problema. As torcidas organizadas oferecem uma oportunidade a quem a elas pertence; os torcedores que ali estão, têm nome e endereço, colocando-se dessa forma, acessíveis ao diálogo e disponíveis às medidas preventivas. Conclui-se facilmente, então, que ao contrário da exclusão do torcedor, através da proibição das torcidas, sua inclusão pode ser o vínculo necessário ao diálogo e à construção de formas de participação social mais conscientes.
É necessária a criação de um programa específico no Brasil dirigido às torcidas que resgate sua cidadania podendo assim transmitir aos jovens o conhecimento das regras que vigoram e também os protegem em nossa sociedade.
Atualmente, há no Brasil algumas iniciativas que favorecem o trabalho junto às torcidas organizadas. Pode-se citar a criação do Estatuto do Torcedor como exemplo, pois reconhece o torcedor como cidadão de direitos. Outro exemplo refere-se às polícias especiais nos estádios no Rio de Janeiro e em São Paulo, que por estarem mais preparadas e conhecerem a problemática das torcidas, acabam por agir mais adequadamente. Por fim, outra ação positiva que diz respeito às competições de criatividade entre torcidas, incentivadas por jornais de futebol – experiência relembrada pelo Jornal Lance! que ocorreu há 70 anos atrás, cuja criação deve-se ao jornalista Mário Filho.
Para transformar essas iniciativas em um programa eficaz apresento uma possibilidade de procedimento como já praticado e consagrado internacionalmente na Europa: as Embaixadas de Torcedores nas copas do mundo e Eurocopas.
A proposta consiste em adaptar este modelo para o Brasil e organizar uma Embaixada da Torcida Brasileira na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha. Os princípios deste trabalho serão aplicados depois em projetos locais durante os campeonatos estaduais e brasileiros. É fundamental estudar a metodologia, para usá-la numa possível Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Trata-se de projetos ambulantes e limitados ao período de uma copa do mundo. Este tipo de iniciativa é considerada hoje em dia um fator imprescindível para uma boa organização de um evento esportivo internacional. O organizador das embaixadas de torcedores é a FSI – Football Supporters International (www.footballsupportersinternational.com), rede internacional dos Projetos para Torcedores Nacionais. Nestes projetos de serviço social para torcedores estão as raízes deste trabalho.
self-fulfilling prophecy. Isso significa que, pessoas que não eram violentas, partem para a agressão porque são tratados preconceituosamente pela polícia ou seguranças de um estádio. As embaixadas de torcedores são projetos de serviço social, isto significa que seus profissionais defendem as necessidades dos seus clientes, que são os torcedores. Nos estádios existe uma cultura popular própria, que se manifesta com a bateria, os cânticos e as bandeiras. Esta criatividade só pode existir num espaço livre que não está demasiadamente cerceado. Isso está ameaçado, por exemplo, pela obrigação de se sentar e pelo aumento do preço dos ingressos. Com o trabalho das Embaixadas de Torcedores, de apoiar e informar, enfrentar o estigma e proteger a cultura, os direitos e as necessidades dos torcedores será possível organizar copas do mundo, que representam o encontro das culturas.
ABERMAS (1981). Ele diz que nossas sociedades modernas funcionam em duas categorias: o mundo da vida e do sistema. O mundo do sistema é o mais visível para nós, porque é a categoria da economia, política e administração. Nele as pessoas usam dinheiro e poder estrategicamente para conseguir atingir seus anseios. O sistema é importante para a produtividade de uma sociedade. No entanto existe além disso o mundo da vida, que seguindo HABERMAS (1981) é ainda mais importante para a sobrevivência das sociedades. A vida privada e a cultura caracterizam esta categoria. Neste mundo a comunicação e bons argumentos são a moeda corrente, usados em arenas, como festas populares e esporte onde encontramos reproduzidos seus valores e suas normas. Sem o mundo da vida as sociedades se desmanchariam. (Habermas 1981: 229 – 295) Isso explica a importância do futebol: nele aparece a manifestação dos valores. OER (2005) com seu livro " Como o futebol explica o mundo" ou o alemão THEWELEIT (2004) com " O gol pelo mundo" (com trocadilho em alemão: Tor significa portão e gol, ver resenha nesta edição de Esporte e Sociedade). A sociedade brasileira em especial já foi analisada através do futebol, por MURAD (1996) e DA MATTA (1982) ou pelo jornalista inglês BELLOS (2002).
Shankly e Habermas: O que é futebol?
Os países da Europa criaram uma assistência social especialmente para torcedores adolescentes de futebol , apesar de já existir um serviço social para adolescentes em geral. Por que esta especialização foi necessária? Por que os torcedores 3
Esporte e Sociedade, número 1, Nov2005/Fev2006 http://www.lazer.eefd.ufrj.br/espsoc/ precisam de um tratamento especial? É bem visível através da mídia e da polícia, que o futebol é um espaço social que merece uma atenção específica. Este fenômeno deve ser explicado com algumas considerações teóricas.
O técnico inglês Bill Shankley falou, que futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso. A importância do futebol, que Shankley reconhecia, pode ser analisada através da teoria de sociedade de H
Um exemplo para visualizar este pensamento é o juiz. A maioria dos torcedores não pode acompanhar juízes em tribunais, então a única forma de aprender sobre o julgamento de direito e justiça é a observação de um árbitro de futebol.
A apresentação das sociedades é bem visível na comparação das suas maneiras de jogar futebol. O Brasil valoriza a habilidade individual, enquanto, por exemplo, a Alemanha, prefere a força do coletivo. Isso descreve as sociedades respectivas.
Já foram publicados vários livros sobre o poder do futebol. Por exemplo o americano F
ABERMAS (1981) alerta que o mundo da vida está ameaçado por uma invasão de poder (polícia) e dinheiro (comercialização), que são elementos do mundo do sistema. Seria necessária uma proteção contra esta invasão (Habermas 1981: 522). Vemos então o papel especial que o futebol ocupa na sociedade e que portanto necessita da intervenção do serviço social para a defesa dos torcedores, que têm direito a participar do mundo da comunicação e precisam de uma voz na arena.
H
Idéia: prevenção versus repressão
O trabalho das Embaixadas de Torcedores tem quatro princípios, explicados abaixo:
• Oferecer um serviço de apoio e informação digno de consumidores.
Muitas vezes a população e as instituições locais se sentem ameaçadas com a chegada de torcedores estrangeiros. Eles temem atos violentos por isso reagem enviando a polícia local. O resultado é que os torcedores são recebidos nos aeroportos e estações de trens com um esquadrão de policiais armados e vestidos em uniformes futuristas fazendo com que os torcedores não se sintam bem vindos, no lugar onde seu time vai jogar. Estes torcedores compraram ingressos e são dessa forma consumidores e também turistas, que vão deixar dinheiro. Qualquer outro convidado seria recebido de uma outra forma.
5 Esporte e Sociedade, número 1, Nov2005/Fev2006 http://www.lazer.eefd.ufrj.br/espsoc/ As Embaixadas de Torcedores querem oferecer esta recepção, com apoio e informação. Elas querem, que os torcedores se sintam bem-vindos no país anfitrião e diminuir dessa forma a sensação de exclusão e por conseguinte o risco de reação violenta.
• Enfrentar o estigma de que todos os torcedores são violentos.
Como o primeiro princípio já mostrou, sofrem os torcedores com o estigma de violentos. Idéia que traz um preconceito e não a verdade. Pode ser que existam alguns poucos criminosos e torcedores violentos num estádio lotado de 50.000 pessoas. Mas observando qualquer grupo da sociedade desse tamanho será possível encontrar a mesma percentagem de criminosos e desordeiros. Este estigma traz várias desvantagens, como o mau tratamento pela polícia, as grades, que parecem jaulas, nos estádios e as matérias nos jornais. Solidificando o preconceito provoca muitas vezes um fenômeno psicológico chamado
O grupo estigmatizado pode criar uma subcultura, que se difere nos seus valores da cultura do restante da sociedade. Esta subcultura dá aos indivíduos uma outra auto-estima para seguir as próprias normas, que podem aceitar o uso de violência (Lamnek 1993: 152 - 162 ). Se isso for o caso, a única maneira de evitar a agressão é através da sua inclusão social. A exclusão é contraprodutiva e vai só marginalizar esta subcultura. Por isso as embaixadas de torcedores têm que enfrentar o estigma dos torcedores.
• Proteger a cultura, as necessidades e os direitos dos torcedores.
A embaixada de torcedores não é um instrumento de vigilância / polícia.
Por causa do já citado estigma dos torcedores várias vezes seus direitos são violados começando com seus direitos de consumidores, como a troca de ingressos ou alimentação higiênica, até direitos humanos, como ter um advogado de defesa no caso dos julgamentos rápidos nos estádios.
Enfim, os torcedores têm várias necessidades, especialmente num país estrangeiro, como ajuda em encontrar ingressos, hospedagem ou o estádio. A informação e uma recepção amigável são básicas do trabalho das Embaixadas de Torcedores.
Muitas vezes a polícia tentou usar as embaixadas de torcedores como instrumento de vigilância. Isso não pode acontecer, pois para oferecer uma ajuda efetiva os torcedores precisam confiar no trabalho dos assistentes sociais.
• Promover campeonatos de futebol como espaço de intercâmbio e encontro entre diferentes culturas.
Quem já visitou uma copa do mundo sabe da atmosfera maravilhosa do encontro dos povos. Diferentes nacionalidades se encontram na rua, torcedores bebem e cantam juntos. Isso acontece pacificamente. Para a maioria dos torcedores, este encontro é o motivo para ir a uma copa. Mesmo assim existe a tendência entre muitos órgãos responsáveis de separar as torcidas e dessa forma evitar o encontro das pessoas.
self-fulfilling prophecy. Isso significa que, pessoas que não eram violentas, partem para a agressão porque são tratados preconceituosamente pela polícia ou seguranças de um estádio. As embaixadas de torcedores são projetos de serviço social, isto significa que seus profissionais defendem as necessidades dos seus clientes, que são os torcedores. Nos estádios existe uma cultura popular própria, que se manifesta com a bateria, os cânticos e as bandeiras. Esta criatividade só pode existir num espaço livre que não está demasiadamente cerceado. Isso está ameaçado, por exemplo, pela obrigação de se sentar e pelo aumento do preço dos ingressos. Com o trabalho das Embaixadas de Torcedores, de apoiar e informar, enfrentar o estigma e proteger a cultura, os direitos e as necessidades dos torcedores será possível organizar copas do mundo, que representam o encontro das culturas.
Trabalho
Estes princípios significam seis componentes para o trabalho dos assistentes sociais numa Embaixada de Torcedores:
• Informação para os torcedores.
Isso é um ponto básico. O torcedor, que chega num país estranho, precisa de várias informações no seu próprio idioma. As perguntas mais freqüentes são sobre a situação de ingressos, que significa muitas vezes o mercado negro. Nesse caso é importante de conhecer as leis do país anfitrião a esse respeito. Outras leis de interesse são sobre álcool (venda, no trânsito, no estádio). Além disso, uma Embaixada de Torcedores deve ter várias outras informações disponíveis, como: mapas do local, acomodação, alimentação, serviço de emergência, serviço consular e detalhes do campeonato.
• Apoio e acompanhamento
Os assistentes sociais da Embaixada devem ir ao local de encontro dos torcedores e sempre estar disponíveis para qualquer necessidade. Isso pode ser uma conversa leve, só para se conhecer, até a ajuda para feridos ou presos. Ter alguém que fala seu idioma nos casos de emergência é muito importante. Acompanhamento significa também entender seu mundo e suas necessidades melhor, por isso os profissionais andam também com os torcedores e freqüentam os mesmos lugares, não só o estádio.
• Observação da organização da competição fan-zones, praças com tela gigantes onde são transmitidos os jogos para as pessoas, que não conseguiram ingressos. Um torcedor bem tratado vai se comportar bem. TOTT E ADANG (2004). Eles provaram que um uniforme de aparência leve e um sorriso são instrumentos muito mais eficazes do que uniformes pesados para evitar violência (www.liv.ac.uk/Psychology/DeptInfo/StaffProfile/CStott.html). descobrir as normas e regras deles. A partir desse conhecimento é possível explicar um certo comportamento e reagir adequadamente se necessário. Nas torcidas existem várias subculturas juvenis, sujeitas a modas que podem mudar muito rápido. Por isso têm de ser observados continuamente, só assim os assistentes sociais conseguem interferir com legitimidade. Fan-Mobile) fan-mobile é normalmente uma van, que carrega material e os assistentes sociais para o local de encontro dos torcedores. Isso acontece normalmente na praça central da cidade, onde será o jogo, ou nos arredores do estádio. A vantagem é que o fan-mobile pode se deslocar com os torcedores. Ele serve como base e ponto de referência, facilmente encontrável pelos torcedores. Fan-Guide) fan-guide é produzido com antecedência e contém informações específicas para torcedores sobre o país anfitrião no idioma dos torcedores viajantes. Ele informa, por exemplo, sobre o caminho para o estádio, a cultura local de futebol, restaurantes e leis. É importante que o fan-guide seja gratuito. Dessa forma os assistentes sociais conseguem estabelecer o contato inicial através da distribuição dos guias. Talvez a informação mais importante do fan-guide seja o número do Disque-ajuda. Helpline) fan-guide. Isso se mostrou uma ajuda muito importante, porque nas copas anteriores ligaram pessoas até da cadeia. fan-guide foi produzido com antecedência, pode ser que muitos eventos ou lugares tenham mudado neste meio tempo. Então seria bom conseguir material turístico mais recente junto ao serviço turístico local. Isso deve ser distribuído no fan-mobile. Fanzine
Streetkick) streetkick oferece a possibilidade de montar um campo de pelada em qualquer lugar, por exemplo, nos centros da cidade. Ele deve ser montado ao lado das Embaixadas. Ele mostra a força do futebol para congregar as pessoas. Muitas vezes torcedores de equipes adversárias jogam entre si, usando os uniformes dos seus clubes. Estes jogos sempre acontecem sem incidentes. Os torcedores acabam tirando fotos juntos e se divertindo bastante, o que mostra que uma copa é um lugar de encontro e não de segregação.
http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/300304_es106.pdfROGETTO ULTRA, Itália: www.progettoultra.it . TOTT, C.: www.liv.ac.uk/Psychology/DeptInfo/StaffProfile/CStott.html . know-how precioso para a sua candidatura à Copa do Mundo de 2014. É necessário de formar pessoas experientes para este tipo de trabalho. Agora é o momento para isso. Esperamos que o Brasil participe desse projeto e desenvolva dessa forma uma nova maneira de enfrentar seu problema de violência no futebol.
Produtos
No item anterior foi mostrado o trabalho das Embaixadas de Torcedores teoricamente. Mas o que significa isso na prática? Para explicar isso estão descritos em seguida as nove produtos principais, que as embaixadas de torcedores oferecem.
• Unidade móvel com assistentes sociais (
O
• Guia turístico para torcedores (
O
• Disque-ajuda 24 horas (
O disque ajuda é um telefone que funciona 24 horas e é sempre atendido pelos assistentes sociais da Embaixada. Dessa forma, os torcedores sabem que irão conseguir ajuda no seu próprio idioma através desse número. O telefone está impresso no
• Material turístico informativo mais imediato
Como o
•
Uma forma de distribuir sempre informação atualizada entre os torcedores é a produção de um
fanzine. O problema é que ele tem de ser produzido num outro país e em pouco tempo, porque entre os jogos temos normalmente só quatro dias. •
Website Existe como alternativa de informação atualizada, mas é preciso levar em conta que torcedores que viajam nem sempre têm acesso à internet.
• Contato pessoal
Isso consiste na diferença fundamental em relação à informação turística, ao serviço consular ou à polícia. Os assistentes sociais não esperam os torcedores chegarem, mas vão até eles de uma forma amigável e não burocrática, munidos de um conhecimento de seu universo pessoal. É oferecida informação e ajuda confiável e no idioma dos torcedores, que desta forma se sentem bem recebidos.
• Pelada na rua em campo inflável (
O
• Relatórios
Já no capítulo anterior foram mencionados os relatórios para documentação própria, para os patrocinadores e para a imprensa.
Conclusão
Foi apresentado o trabalho das Embaixadas de Torcedores, que é um serviço de informação, apoio e acompanhamento de torcedores, que viajam para jogos e campeonatos de futebol fora do próprio país. Dessa forma elas reconhecem os torcedores como consumidores e tratam-nos adequadamente. São uma ferramenta promissora que diminui os incidentes violentos ao redor do futebol.
Pessoas respeitadas, que usufruem de um bom serviço não precisam manifestar a sua insatisfação. O sucesso da Eurocopa 2004 em Portugal mostrou, que é possível organizar um campeonato de futebol e proporcionar encontros sem violência. Peças chaves para isso foram o comportamento exemplar da polícia portuguesa, que agiu defensivamente, e o serviço das Embaixadas de Torcedores.
Por causa desse sucesso o comitê organizador da Copa do Mundo de 2006 na Alemanha investe muito na recepção e no serviço para os torcedores estrangeiros. Estão sendo planejadas não só as embaixadas móveis nos centros das cidades, mas também escritórios fixos acessíveis para todas as nacionalidades. A Alemanha oferece toda a infra-estrutura, mas cabe ao lado brasileiro financiar a sua própria embaixada. Com van, guia e profissionais qualificados, poderia adquirir um
Após o trabalho das Embaixadas de Torcedores na Copa, o projeto poderá ser estendido aos campeonatos regionais e nacionais no Brasil. Os princípios são os mesmos, só a execução prática difere, pois seria um projeto fixo, de longo prazo e com um público-alvo diferente. Numa copa os assistentes sociais têm que se deslocar várias vezes em pouco tempo, oferecer um trabalho ambulante e trabalhar para um público mais elitizado.
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http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/300304_es106.pdfROGETTO ULTRA, Itália: www.progettoultra.it . TOTT, C.: www.liv.ac.uk/Psychology/DeptInfo/StaffProfile/CStott.html . know-how precioso para a sua candidatura à Copa do Mundo de 2014. É necessário de formar pessoas experientes para este tipo de trabalho. Agora é o momento para isso. Esperamos que o Brasil participe desse projeto e desenvolva dessa forma uma nova maneira de enfrentar seu problema de violência no futebol.
É necessário, que um órgão oficial observe a organização de um evento tão grande, como uma copa do mundo, do ponto de vista do consumidor, ou seja, do torcedor. São pontos como o conforto nos estádios, a venda dos alimentos, a higiene nos banheiros, o transporte ou a sinalização, para encontrar rapidamente a entrada certa e seu lugar. A mesma coisa vale para os chamados
• Observação da Polícia e Segurança
O comportamento da polícia é crucial para evitar incidentes violentos. Os assistentes sociais dos projetos para torcedores sinalizam, há tempos, que o comportamento e a aparência agressiva por parte da polícia deflagra a violência, ao invés de evitá-la. Isso foi agora comprovado por uma pesquisa dos psicólogos da Universidade de Liverpool, S
Outra questão é a segurança dos torcedores no estádio, por exemplo, saída de emergência fácil e a falta de grades. É melhor alguém invadir o campo, do que dezenas morrerem nas grades como em Bruxellas em 1985 ou Sheffild em 1989.
• Observação do Comportamento das Torcidas
Para que os assistentes sociais possam entender o comportamento dos torcedores, eles têm de acompanhá-los, principalmente ao estádio, pois só dessa forma é possível
• Relatórios para UEFA, Organizadores, Imprensa, Projetos para torcedores.
Todo este trabalho e as observações têm de ser fixados em relatórios, não só para melhorar o próprio trabalho, mas também para informar órgãos que patrocinaram o projeto como associações de futebol. Além disso, o público quer ser informado através da mídia. Isso é uma possibilidade de enfrentar o estigma dos torcedores.
Pioneiros foram países como a Alemanha com sua coordenação na KOS – Koordinationsstelle der Fanprojekte em Frankfurt (www.kos-fanprojekte.de ), a Inglaterra com sua associação nacional de torcedores (www.fsf.com.uk) e a Itália com o Progetto Ultra em Bologna (www.progettoultra.it).
As primeiras Embaixadas de torcedores foram organizadas em 1990 durante a Copa da Itália. Isso se deu em reação aos incidentes violentos durante campeonatos anteriores e da reação da polícia e imprensa. O trabalho se repetiu e foi ampliado nas copas de 92 na Suécia, 96 na Inglaterra, 98 na França, 2000 na Bélgica/Holanda, 2002 no Japão/Korea e 2004 em Portugal. Nesse último caso, o financiamento básico foi proporcionado pela UEFA e foi complementado pelas associações nacionais de futebol, os governos ou outros patrocinadores dos diversos países participantes: Alemanha, França, Holanda, Inglaterra, Itália, República Tcheca e Suíça. Esperamos ter na Copa 2006 o Brasil entre estes países, como primeiro participante não-europeu.
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